MUSEU VIRTUAL

O que é a Memória do Transporte Brasileiro, um Museu Virtual?

Por meio da Memória do Transporte Brasileiro, um Museu Virtual, a FuMTtran pretende reunir e organizar o acervo do transporte brasileiro, em todas as suas modalidades, hoje espalhado entre as diversas entidades que compõem o sistema da CNT – Confederação Nacional do Transporte, além de outras fontes que se dispuserem a ceder itens ao museu. O objetivo do Museu Virtual é centralizar o acervo e divulgar ao público em geral –estudantes e profissionais ligados ao transporte e logística –, a cultura, a história e a memória do transporte brasileiro.

O acervo da memória do transporte brasileiro, em suas principais modalidades, é muito vasto. Boa parte do material foi doado e disponibilizado à FuMTtran por entidades e pessoas físicas ligadas ao setor para pesquisa e seleção de acervo. O trabalho terá como critério o grau de relevância histórica e cultural, e será realizado pela equipe de curadores e pesquisadores do acervo.

O acervo documental será formado a partir da pesquisa e da seleção da curadoria do projeto.

A ênfase será dada à memória, cultura e história do transporte nacional. Sobre o transporte internacional, que não é o objetivo de retratá-lo, só será citado como registro quando de alguma maneira influenciar a história do transporte brasileiro ou se promover algum fato relevante que tenha impactado nacionalmente.

Abrangência do acervo. Qual período da história?

O que for relevante para a história do transporte será pesquisado e poderá ser selecionado pela equipe de curadores como acervo relevante, digitalizado e disponibilizado em nosso Portal.

Por exemplo. Que tal estabelecermos então que iniciaremos com citações do século 17, especificamente no ano de 1662? Quando então o francês Blaise Pascal (1623-1662) é citado como criador do primeiro transporte urbano (coletivo) mundial.

Ou ainda, registrar que após a chegada da família Real ao Brasil em 1808, fez com que em 1817 o rei D. João VI autorizasse um dos empregados da Corte, Sebastião Surigué, a explorar um serviço de carruagem entre o Paço Imperial, no centro do Rio de Janeiro, e a Fazenda Santa Cruz, a cerca de 50 quilômetros e uma das residências oficiais da Família Real.

Esta citação é apenas uma das possibilidades de “indicação do período da história dos transportes” que poderemos abranger em nossas pesquisas. São muitas as indicações possíveis. Gostaríamos de oferecer relevância de conteúdo ao nosso Portal.

Em todas as modalidades do transporte haverá o mesmo cuidado de se buscar fatos de importância e significância para o assunto abordado.

Em nossas discussões prévias, foi sugerido criar um gráfico da linha do tempo, destacando os principais e mais relevantes fatos históricos que impactaram na história do transporte nacional, principalmente.

A verdade é que a história do Brasil pode ser contada a partir do desenvolvimento dos meios de transporte, a começar do próprio descobrimento que, como se sabe, foi uma decorrência da verdadeira aventura marítima de travessia do Oceano Atlântico em precárias caravelas, mas amparada no conhecimento técnico específico acumulado pelos portugueses desde a criação da Escola de Sagres.

Três séculos depois, em 1808, outra extraordinária operação logística, ainda no campo do transporte marítimo, transforma o Brasil em capital do império lusitano, com a transferência de toda a corte de Lisboa para o Rio de Janeiro, Uma genial decisão de um rei tido como fraco e hesitante, mas que conseguiu surpreender o poderoso exército napoleônico.

No interregno desses dois marcos históricos, tivemos, entre tantos outros acontecimentos importantes, o ciclo das entradas e bandeiras, também improváveis operações logísticas realizadas sobre o lombo de muares (antepassados dos atuais caminhoneiros) e/ou seguindo os cursos d’água que penetram o território brasileiro, com a ajuda do conhecimento e da mão de obra indígena. Foi graças à cobiça de alguns, o instinto aventureiro de outros e os meios de transporte terrestre e fluvial então existentes, que se começou a desenhar o atual mapa do Brasil, empurrando centenas de quilômetros para o Oeste a linha imaginária e arbitrária do Tratado de Tordesilhas, anulando-a, na prática.

Pode-se focar também a importância estratégica do transporte ferroviário, no final do século XIX e início do século XX, para que o Brasil se transformasse numa economia agroexportadora, lastreada na monocultura do café e, a partir da segunda metade do século XX, dando suporte à nossa “revolução industrial” (período JK), o boom do transporte rodoviário.

Todas essas referências são apenas exemplos de que, como dito antes, a história do Brasil só pode ser contada – e compreendida – a partir do desenvolvimento dos meios de transporte em cada momento